27/07/2026 às 15:28

Enquanto eu estiver viva...

3
2min de leitura


Durante muito tempo, achei que meu trabalho era fotografar.

Depois achei que meu trabalho era ensinar.

Mais tarde pensei que meu trabalho era palestrar, escrever livros, gravar aulas, criar cursos.

Hoje eu sei que não.

Meu trabalho sempre foi outro.

Meu trabalho sempre foi tocar pessoas.

Eu nunca quis apenas ensinar uma pose.

Eu queria que alguém olhasse para uma porta fechada e encontrasse coragem para abri-la.

Nunca quis apenas entregar uma fotografia.

Queria que uma família olhasse para aquela imagem muitos anos depois e revivesse um amor que o tempo jamais conseguiria apagar.

Nunca quis apenas vender um curso.

Queria que alguém descobrisse que era capaz de construir uma vida diferente.

Houve um tempo em que eu estava presente todos os dias.

Entrava ao vivo.

Escrevia.

Conversava.

Ria.

Chorava junto.

Naqueles dias, sem perceber, eu passei a morar em um pedacinho da vida de muitas pessoas.

E elas passaram a morar em um pedacinho da minha.

Depois a vida mudou.

O mundo mudou.

As redes mudaram.

Eu também mudei.

Em alguns momentos, tive a sensação de que estava me perdendo de mim mesma.

Como se aquela chama que um dia iluminou tanta gente estivesse queimando mais baixo.

Foi difícil admitir isso.

Porque quem inspira também sente medo.

Quem ensina também se perde.

Quem dá a mão também precisa encontrá-la de novo.

Mas existe uma coisa que nunca mudou.

Eu ainda acredito nas pessoas.

Ainda acredito que uma conversa pode mudar uma carreira.

Que uma fotografia pode fortalecer uma família.

Que uma palavra dita na hora certa pode impedir alguém de desistir.

Eu não sonho em ser lembrada porque escrevi livros.

Nem porque subi em grandes palcos.

Nem porque fotografei milhares de bebês.

Nem porque fui influenciadora.

Tudo isso é bonito.

Mas é consequência.

O que eu realmente desejo é continuar viva.

Viva na memória daquela mãe que, anos depois, abrirá um álbum e voltará a sentir o cheiro do filho recém-nascido.

Viva na lembrança do fotógrafo que um dia teve medo de começar, mas encontrou coragem porque alguém acreditou nele primeiro.

Viva no coração de quem entendeu que existia muito mais do outro lado daquela porta que parecia impossível atravessar.

Se um dia as redes sociais acabarem...

Se os algoritmos mudarem...

Se os formatos forem outros...

Espero que ainda exista alguém dizendo:

"Foi a Bel quem me fez acreditar que eu podia."

Porque, no fim, é isso que eu quero construir.

Não uma audiência.

Não uma coleção de seguidores.

Não uma carreira.

Mas uma presença.

Uma presença que continue existindo nas histórias que ajudei a transformar.

Enquanto eu estiver viva.

E, quem sabe...

Até depois.

27 Jul 2026

Enquanto eu estiver viva...

Comentar
Facebook
WhatsApp
LinkedIn
Twitter
Copiar URL
Logo do Whatsapp